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Um clube com gente dentro: a história de Mónica Magalhães

Pedro C. Esteves
Desporto \ quarta-feira, setembro 28, 2022
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Trabalha há 30 anos na formação e mostra-se orgulhosa não só dos jovens que fizeram carreira como jogadores - Pedro Mendes ou Flávio Meireles -, mas também dos que vingaram fora das quatro linhas.

Antes de Mónica Magalhães ser funcionária do Vitória já era sócia e “adorava” o clube. Gosta de  futebol, mas a paixão é mesmo a formação. Sempre foi assim. Desde os tempos em que o trabalho ia para prolongamento, com jornadas de 15 horas por dia. “Agora somos muitos. Na altura éramos uma dúzia de funcionários, havia uma pessoa por departamento e todos colaboravam”, refere. Entrou para o clube com 21 anos – agora tem 51.

Em 30 anos, muita coisa muda. Mantém-se o “orgulho” de ver um dos “meninos” a singrar. E não é necessariamente obrigatório que tenha de ser dentro das quatro linhas. “Sinto-me orgulhosa quando vejo chegar ao meu departamento treinadores que já passaram pela formação, que já foram jogadores, mas não singraram e seguiram a vida deles”, explica a funcionária ao Jornal de Guimarães. Este reconhecimento também é sinal que o departamento fez a sua parte: “Perceberam que só uma percentagem muito curtinha é que consegue chegar. Conseguiram fazer o percurso deles de forma saudável e isso deixa-me muito contente”.

 

“Menina, vocês têm muita sorte”

Mónica Magalhães reconhece que pode faltar “nome” ao Vitória SC para competir com o poder de persuasão de FC Porto, Sporting CP e SL Benfica, mas há um aspeto em que está “muito à frente”: na “formação pessoal” das centenas de meninos que vestem de rei ao peito. Independentemente de “singrarem” – Mónica recorda Flávio Meireles e Pedro Mendes, por exemplo – seguem preparados para o devir dentro e fora do campo.

Este trabalho ganha forma no complexo desportivo, o primeiro do género do país. Há 30 anos “não havia nada”. Mónica Magalhães recorda o espanto dos clubes que visitavam o espaço. Um dia, acompanhava Aurélio Pereira, histórico olheiro do Sporting CP, pela academia. Ele parou-lhe a marcha e disse: “Menina, isto é maravilhoso. Vocês têm tanta sorte”.