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Uma primeira volta mediana em oito décadas ao mais alto nível

Tiago Mendes Dias
Futebol \ sexta-feira, janeiro 14, 2022
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Sem qualquer triunfo nos últimos três jogos, o Vitória rubricou uma primeira metade que fica de fora das 40 melhores da história do clube. Por outro lado, Marcus Edwards regressou à sua melhor versão.

No ano do centenário, o Vitória SC cumpre a 77.ª temporada entre os maiores do futebol português. Depois de oportunidades de golo desperdiçadas, vantagens esbanjadas com golos sofridos em erros individuais e falta de agressividade sem bola, a primeira volta acabou na segunda-feira e não cabe sequer nas melhores 40 da história escrita a preto e branco, isto quando se fala em termos puramente classificativos.

A derrota em Barcelos, numa noite de avassalador domínio do Gil Vicente, manteve os vitorianos no oitavo lugar; em 46 ocasiões, o emblema mais representativo de Guimarães virou para a segunda metade do campeonato mais bem classificado.

Por oito vezes o clube que faz de D. Afonso Henriques o seu ícone acabou a primeira volta no pódio, mas a última já dista 24 anos: a formação então treinada por Quinito era segunda classificada em 1997/98, atrás do FC Porto, tendo concluído esse campeonato no terceiro posto. Só numa outra ocasião o Vitória terminou a primeira metade na vice-liderança: aconteceu em 1989/90, sob o comando de Paulo Autuori.

 

 

Os outros pódios respeitam às temporadas 1959/60, em plena ascensão dos vimaranenses a crónico candidato ao primeiro terço da tabela, 1965/66, 1968/69, 1974/75, 1985/86 e 1986/87.

De resto, o Vitória cruzou o ponto intermédio em quarto lugar por nove vezes, tantas quantas as que o fez na quinta posição; o sexto lugar era a classificação noutras nove vezes.

No fundo da tabela, aparece a temporada 2005/06, a da última descida de divisão: a equipa preta e branca era 17.ª classificada no final da primeira volta e assim terminou o campeonato. Entre os piores registos, surgem ainda as primeiras voltas de 1992/93 e de 2003/04 (16.º lugar), de 2000/01 (14.º lugar), bem como de 1952/53 e de 1970/71 (13.º).

O percurso de oito décadas na 1.ª Divisão mostra ainda que, na primeira passagem pela elite, entre 1941 e 1954, o Vitória só virou o campeonato acima do oitavo lugar por duas vezes, em 1942/43 (sétimo) e em 1953/54 (quinto).

 

N'Dinga, pilar da primeira volta de 1989/90, a melhor do Vitória. Créditos: Glórias do Passado (blogue)

N'Dinga, pilar da primeira volta de 1989/90, a melhor do Vitória. Créditos: Glórias do Passado (blogue)

 

Longe da média de 2 pontos que assinala os melhores anos

O Vitória somou 23 pontos nas primeiras 17 jornadas desta edição da Liga. É a 14.ª maior pontuação da história, mas só se ignorar dois factos: os triunfos valeram dois pontos até ao final da temporada 1994/95 e 50 dos campeonatos disputados pelo maior emblema de Guimarães tiveram menos de 18 equipas.

Se se incluírem essas variáveis na análise, a média de 1,35 pontos por jogo corresponde apenas ao 44.º melhor registo preto e branco, a precisamente um ponto da melhor primeira volta de sempre: em 1989/90, atingiu uma média de 2,35, fruto de 12 vitórias, quatro empates e uma derrota. A média pontual vimaranense na primeira metade foi igual ou superior a dois pontos por jogo em oito campeonatos, o último dos quais em 2014/15: essa foi a última temporada de Rui Vitória em Guimarães, com o alto rendimento da primeira volta (34 pontos) a cair na segunda (21).

Do outro lado do espectro, houve 10 temporadas em que a média pontual foi igual ou inferior a um ponto por jogo na viragem para a segunda metade: aconteceu pela primeira vez na estreia do Vitória entre os grandes, em 1941/42 (0,64), e pela última em 2005/06 (0,82).

 

 

Contabilidade morna também nos golos

Os comandados de Pepa marcaram 24 golos e sofreram 20 nas 17 jornadas decorridas, apresentando, por isso, uma diferença positiva. Foi a 41.ª ocasião em que o Vitória o conseguiu, estando os recordes fixos nos 18 golos; em 1959/60, a equipa treinada por Humberto Buchelli marcou por 31 vezes e sofreu por 13. Já em 1963/64, os comandados de José Valle apontaram 34 golos, somente menos um do que na primeira volta mais produtiva de todas – a de 1974/75, com o ainda lembrado trio de ataque Romeu, Tito e Jeremias - e consentiram 16.

Entre as primeiras voltas mais goleadoras, sobressaem também as de 1965/66 e de 2002/03 – 32 golos cada -, sendo que a de 2021/22 surge no 19.º lugar; se se restringir o olhar às últimas 10 temporadas, a equipa de Pepa foi a quarta que mais alvejou o fundo das redes adversárias, atrás das de Rui Vitória, em 2014/15 (30), de Pedro Martins, em 2016/17 (27), e de Ivo Vieira, em 2019/20 (25). Por outro lado, as primeiras voltas ficaram-se pelos sete golos em 1952/53 e em 1970/71 e pelos nove em 2005/06.

Quanto às médias de golos marcados, as sete mais elevadas aconteceram até à temporada 1975/76, percorrendo as décadas de 40, de 50 e de 60, superando os dois por jogo – testemunham eras em que havia cinco avançados nos sistemas táticos, resultando em mais golos. A média de 2021/22, 1,41 golos por jogo, é a 34.ª mais elevada.

As primeiras voltas com mais golos sofridos aconteceram entre 1941/42 e 1943/44, no arranque da caminhada vitoriana entre os maiores, ao passo que o menor número remonta a 1968/69: na única época em que lutou pelo título nacional, o Vitória consentiu sete golos na primeira volta, apresentando uma média de 0,54 golos sofridos, a mais baixa das 77 temporadas.

O atual elenco do Vitória apresenta uma média de 1,18 golos sofridos, o 36.º melhor registo. Note-se, contudo, que a equipa preta e branca apresentava a melhor defesa à passagem da quinta jornada, com um golo consentido, tendo sofrido em todos os embates desde então.

 

Marcus Edwards, o homem que mais se tem evidenciado no Vitória 2021/22

Marcus Edwards, o homem que mais se tem evidenciado no Vitória 2021/22

 

Marcus Edwards floresce. Alfa Semedo, o reforço mais caro, perde terreno

Depois de uma época de estreia com nove golos e cinco assistências em 36 jogos, Marcus Edwards viu-se relegado para um papel secundário na época 2020/21, ficando-se pelo registo de três golos e uma assistência em outros 36 desafios, 15 deles iniciados a partir do banco. O virtuoso extremo inglês regressou à sua melhor versão na presente temporada, levando já uma assistência e sete golos – é o melhor marcador da equipa, seguido de Oscar Estupiñán, com seis.

Quanto às assistências, há vários elementos a servirem os 24 golos até agora marcados; Bruno Duarte e Rafa Soares lideram a tabela, com dois passes decisivos cada um.

Alfa Semedo, o mais caro dos três reforços contratados para 2021/22, tem perdido terreno na equipa. O médio chamado à seleção da Guiné-Bissau para a Taça das Nações Africanas iniciou o campeonato a titular, mas duas expulsões frente a Estoril Praia e a Belenenses SAD fizeram-no perder o lugar para Tomás Händel, que já soma 1019 minutos nas competições nacionais. Alfa Semedo fica-se pelos 780.

 

 

Nos últimos 10 anos, classificação só melhorou por duas vezes

O arranque da segunda volta está marcado para as 20:15 de segunda-feira, no reduto do Portimonense. É a primeira oportunidade para os comandados de Pepa melhorarem a sua classificação, algo que tem sido raro na última década. Só por duas vezes desde 2012/13, o Vitória obteve uma classificação final superior ao lugar que tinha no final da primeira metade. Conseguiu-o em 2016/17, subindo de quinto para quarto, e em 2018/19, de sexto para quinto.