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A comunicação como fator de união no quotidiano vitoriano

Pedro Ribeiro
\ sábado, maio 22, 2021
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É imprescindível que uma direção pense nos vitorianos como parte da solução e não do problema. Que os queira trazer para o seu lado, comunicando de forma franca, transparente e regular.

No final de uma época desgastante a todos os níveis, são tantos os temas em aberto na atualidade vitoriana, que é impossível abordá-los a todos no curto espaço deste artigo de opinião. Importa por isso iniciar o necessário processo de reflexão e prioritizar os assuntos a abordar. E para começar a preparar o futuro é essencial perceber o passado, de forma a evitar repetir os erros cometidos.

Um dos piores “pecados” de qualquer direção ou administração é não perceber a essência da entidade que dirigem ou administram. Ora, a alma do Vitória são os seus sócios e os seus simpatizantes, que vivem com tanto fervor o dia a dia do clube. É esse o verdadeiro pulsar do nosso coração e aquilo nos distingue e caracteriza. Deveria portanto ser a prioridade número um de quaisquer corpos sociais. Uma nau vitoriana que não procure trazer para bordo os associados irá sempre navegar por mares mais turbulentos e corre o risco de naufragar.

Pela falta de um termo com todo esse significado, vou usar um anglicismo para exprimir uma ideia chave: accountability. Grosso modo pode ser pensado como responsabilização com ética, mas acarreta muito mais do que isso, pois remete à obrigação moral e ética de um órgão administrativo ser transparente e de prestar contas a quem representa. Não apenas de forma quantitativa, mas de forma regular autoavaliar-se e explicar o que se anda a fazer, como o faz, os motivos para fazer e o que tenciona fazer a seguir.

Uma organização que pretenda ter existência estável e duradoura deve procurar atender as necessidades de todas as suas partes interessadas, que devem perceber e estar genericamente de acordo com práticas de governança utilizadas. E num clube de futebol como o Vitória o maior stakeholder, para usar outro anglicismo, são os seus adeptos!

A mais importante parceria que uma direção do Vitória pode e deve ter é com os sócios. É preciso acarinhar e fazer crescer a qualidade desta relação. É preciso abraçar a diversidade de opinião, com maturidade democrática, mas ao mesmo tempo efetivamente tomar ações que sinalizem a tentativa de união de toda a massa associativa. É preciso acima de tudo comunicar para os vitorianos. Explicar os processos de decisão. Não tornar opacos os atos de gestão e ir sempre usando os timings corretos para explicar o que está a acontecer, ao invés de pelo contrário esconder ou adiar justificações. Sob pena de transformar em tsunamis assuntos que seriam apenas uma gota de água se fossem desde logo esclarecidos.

É muito mais o nos une que o que nos separa. No dia em que tivermos verdadeiramente união entre os vitorianos seremos imparáveis! Como na fábula, um a um seremos pequenos pauzinhos de madeira que facilmente se partem, mas juntos seremos inquebráveis. Mas para isso é imprescindível que uma direção pense nos vitorianos como parte da solução e não do problema. Que os queira trazer para o seu lado, comunicando de forma franca, transparente e regular. Que os veja não como um incómodo, mas verdadeiros parceiros a todos os níveis, incluíndo a gestão. Que entenda a comunicação e a relação com os adeptos como uma prioridade e não uma mera obrigação para tentar ir cumprindo com serviços mínimos. É esta a chave para um Vitória saudável, estável, pujante, vivo, com toda a sua diversidade, consciente das suas fragilidades, mas também da maior riqueza: os vitorianos!