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Adaptar o desporto adaptado

Rui Leite
\ terça-feira, março 23, 2021
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Explicar a estes campeões que temos de estar parados é devastador, para nós que transmitimos a mensagem e para eles que a recebem com um olhar de tristeza e desalento.

A realidade pandémica da Covid19 obrigou a uma adaptação geral de todos os domínios da sociedade e o desporto não é exceção. A ausência de público, o cancelamento de competições, a suspensão de atividades nas camadas mais jovens, foram algumas das consequências imediatas, mas o futuro ditará resultados muito mais alarmantes. O desporto é por excelência um espaço de crescimento social e afetivo, de desenvolvimento interpessoal e de fortalecimento de valores, aliado às questões físicas que potenciam uma melhor resistência corporal e em última análise do sistema imunitário. Este interregno irá mostrar-nos a importância de tudo isto mais à frente, quando retomarmos as atividades e analisarmos as condições físicas e emotivas dos praticantes. Quando falamos do desporto adaptado estas consequências são muito mais devastadoras. Se o recrutamento de praticantes nesta vertente já é difícil, com esta paragem será muito difícil retomarmos o caminho percorrido até aqui.

A retoma das atividades, quando for feita, deve ser bem estruturada no sentido de se elaborar regras específicas para a prática desportiva destes grupos, em contexto de treino e em contexto competitivo, reinventando formas de os cativar e motivar à prática desportiva, seja nas suas instituições, seja em clubes ou até individualmente, em condições de segurança, mas com a máxima normalidade possível.

O desporto nesta área é muito mais que estimulação anátomo-fisiológica, tem também um cariz psicológico, porque permite ao praticante ver o resultado das suas capacidades competitivas, contribui para um aumento da confiança e autoestima, facilita a reintegração na comunidade através das competições e permite ao desportista descobrir os seus limites e potencialidades, ultrapassando barreiras através da experiência, reforço da autonomia, liberdade e autoconfiança.

O desafio de inclusão e integração através do desporto não pode por isso ser deixado ao acaso no contexto pós pandemia. As instituições que possuem praticantes, como é o caso da CERCIGUI, precisam de reforçar as atividades desportivas dentro do seu plano de ações, mas acima de tudo, regressar à comunidade para reorientar as parcerias que estabeleceu com clubes que optaram por criar secções de desporto adaptado, como é o caso do Vitória SC, Xico Andebol, e o Guimagym.

Num ano em que o vírus parou o nosso desporto, tínhamos subido de divisão no andebol e reforçado os títulos de campeões nacionais e internacionais de judo e atletismo. Explicar a estes campeões que temos de estar parados é devastador, para nós que transmitimos a mensagem e para eles que a recebem com um olhar de tristeza e desalento. É altura de arregaçar as mangas e começar a planear regressos, seja na sociedade seja no desporto. Não nos podemos dar ao luxo de ter as medalhas penduradas e desperdiçar campeões, ainda mais como estes, vencedores absolutos tanto no desporto, como na vida.