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Cidades ativas: conceito para o futuro próximo

Paula R. Nogueira
\ segunda-feira, junho 14, 2021
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Percebemos que podemos ser urbanos, mas ambientalmente responsáveis e fisicamente (mais) ativos.

Até 2019, a inatividade física estava identificada como um dos principais problemas de saúde pública da Humanidade. Só na Europa eram considerados fisicamente inativos 210 milhões de cidadãos. A crise pandémica provocada pela Covid-19 baralhou as prioridades, mas a questão da inatividade física manteve (e até ganhou) relevância, sobretudo com o confinamento.

Talvez tenhamos percebido, da forma mais brutal, que ser fisicamente ativo é muito importante para a nossa saúde e para o nosso equilíbrio. Também o espaço ao ar livre, bem como a forma de o vivermos e com ele nos relacionarmos, modificou-se.

Percebemos que podemos ser urbanos, mas ambientalmente responsáveis e fisicamente (mais) ativos.

Com as populações a fixarem-se, maioritariamente, em cidades, a reflexão sobre que tipo de centros urbanos pretendemos acentuou-se.

Se, por um lado, há mais pessoas interessadas em discutir a relação que pretendem ter com as cidades onde vivem, convém que esse debate, importante e necessário, envolva a comunidade e o poder local para que juntos definam estratégias de combate ao sedentarismo e à inatividade física. Em termos muito simples, uma cidade atrativa é aquela que oferece emprego, habitação, qualidade de vida e bem-estar. Deve ser também, uma cidade cujo urbanismo favoreça a atividade física e a mobilidade sustentável.  

Em 2018, o ICSSPE (International Council of Sport Science and Physical Education), sediado em Berlim, coordenou uma sondagem no âmbito do projeto PACTE (Promoting Active Cities Throughout Europe) em que procurou aferir taxas de atividade física em toda a Europa numa perspetiva municipal, tendo em vista a construção de um modelo europeu de “Cidades Ativas”. Guimarães participou nesse estudo e a convite dos promotores, marcou presença nas sessões técnicas e nos debates, partilhando as suas boas práticas.

No caso dos municípios portugueses sondados pelo ICSSPE, 94% afirmaram dispor de uma política de promoção da atividade física (muito acima da média de 70% dos municípios europeus) e, em certa medida, alinhada com um plano nacional. Na sua maioria, também oferecem parques de lazer, jardins públicos e equipamentos desportivos, e alguns até já procuram orientar-se para um urbanismo amigável e para a mobilidade sustentável. O que parece faltar é cooperação, comunicação e monitorização.

O estudo apontou o poder municipal como aquele que pela proximidade às populações está em melhores condições para implementar políticas de promoção da atividade física. Daí que a ideia em torno do conceito das “Cidades Ativas” ganhe cada vez mais adeptos em toda a Europa, pela evidência de que a proximidade é mais eficiente no combate ao sedentarismo.

Os ganhos relativos à ação estratégica apontam-se à saúde pública, ao ambiente e às finanças (os custos anuais com o sedentarismo na Europa estimam-se em 80 mil milhões de euros), mas o principal benefício é social.

Qualquer iniciativa nessa direção tem de envolver diferentes planos e atores – da escola às empresas, do cidadão ao município, dos meios de transporte ao urbanismo. A transversalidade e a intersectorialidade serão fundamentais a qualquer plano ou estratégia orientados para uma cidade ativa. Mais do que uma moda de circunstância, é uma necessidade coletiva com impacto no futuro.