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Diversifiquem e democratizem o desporto

Carlos Rui Abreu
\ sexta-feira, outubro 01, 2021
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Existe ainda na mente de muitos políticos locais a ideia de que a nossa terra deve ter tudo, tal como a terra do lado. Se o vizinho tem um campo de futebol, nós também temos que ter.

Volvidas as eleições autárquicas acredito que novos ventos possam soprar nos municípios do nosso país. Muitos dos presidentes foram reeleitos mas, mesmo esses, renovaram promessas, melhoraram programas e partem, acredito, com novas motivações.

O papel de uma autarquia é fundamental no desenvolvimento desportivo nacional. Além das grandes linhas aglutinadoras das políticas do poder central, que no caso do desporto deixam muito a desejar, é na base que tudo começa e pode ser moldado.

Existe ainda na mente de muitos políticos locais a ideia de que a nossa terra deve ter tudo, tal como a terra do lado. Se o vizinho tem um campo de futebol, nós também temos que ter. Se lá existe uma piscina ou um pavilhão, nós também queremos. É a teoria das quintas e das quintinhas sem se olhar para um planeamento supra-freguesia ou mesmo supramunicipal.
Nas Câmaras Municipais há ainda a política do cacique, do agradar às clientelas dos comparsas partidários, do dividir para reinar. Faltam programas bem planeados para a construção de infraestruturas que claramente façam falta a cada comunidade e não a construção de campos e campinhos para agradar a este ou àquele, muitas vezes com fins eleitoralistas. Os políticos caem na tentação de distribuir subsídios de forma casuística e não pela meritocracia de quem os reclama.

De que serve construir um campo de futebol numa freguesia onde a maioria da população é idosa? Não se poderia partilhar a utilização com a freguesia do lado que já tem um? Todos querem tudo e de tudo no seu quintal. Porque não um pavilhão ou um campo de ténis, ou um polidesportivo? Tudo na medida certa e com planeamento.

Portugal tem vindo a destacar-se em algumas modalidades coletivas que não o futebol. A diversificação da oferta aos jovens é essencial para que não haja uma futebolização excessiva da prática desportiva. Para isso é preciso que os poderes, locais e não só, distribuam pelos vários municípios e em freguesias estratégicas, espaços onde esses desportos possam ser praticados e, de preferência, sem os encargos financeiros, muitas vezes absurdos, que são exigidos às famílias. A democratização do acesso à prática desportiva é verdadeiramente essencial para a formação dos homens de amanhã e dos desportistas que poderão continuar a dar alegrias aos portugueses.