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É tempo de ir a Jogo

Ilda Pereira
\ sexta-feira, março 26, 2021
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Assistiremos no Desporto nestes próximos anos a um abandono ou a um êxodo semelhante àquele que em outras épocas viveu o nosso país?

Um ano a (con)viver com a Pandemia e eu esperava ir agora a Jogo! Ao invés disso, porque o Ciclismo, assim como tantas “Outras Modalidades” está parado, está “Suspended” (de acordo com a definição que podem encontrar ao entrar nos calendários das modalidades na página oficial da Federação Portuguesa de Ciclismo, por exemplo). Estão as provas e estão as vidas, as carreiras, as dinâmicas que giram em torno do Desporto “suspensas”.

Um ano a (sobre)viver à Pandemia e se por um lado criamos uma dissociação, um hábito desinflacionário, relativamente ao Vírus (números, mortes, notícias e afins), por outro a lição urge em ser apr(e)endida e as nossas vidas estão suspensas, adiadas, hipotecadas, latejam a conta-gotas (como o Sr. Costa insiste).

Há um ano foi difícil entender que uma força invisível tornasse possível o impensável: parar escolas, fechar as grandes superfícies, tirarem-nos o futebol e colocarem cidadãos livres em prisão domiciliária. Há um ano não foi fácil vestirmos capas de super-heróis, sairmos das zonas de treino para, em casa, nos tornarmos menos vulneráveis; dentro de quatro paredes, em frente ao ecrã, com um Personal Trainer, num treino virtual, a pingar o chão de um esforçado confinamento, contamos as provas adiadas – uma após a outra.

Não há aqui lirismo! Os Estados de Emergência e os Confinamentos sequenciais colocaram aos atletas e Clubes demandas demasiado hercúleas para as suas estruturas e vieram expor a realidade frágil do Desporto Amador em Portugal. Se a Atividade Física é pautada pelo conceito de “exercício”, de “movimento”, de “toda e qualquer atividade que aumente o dispêndio energético”, podemos até facilmente compreender que haja hoje uma percentagem da população que, face às “oportunidades” criadas pela Pandemia aumentou, até, a sua “atividade física”; porém, quando falamos de “Desporto”, de “Atividade Desportiva Organizada”, sem dificuldade concluiremos de que esta sofreu um enorme decréscimo neste último ano e que, assim, não só há um conjunto de praticantes que não renovaram licenças, como um outro que ou deixou a prática ou diminuiu o número de horas e a intensidade que lhe dedicava, como todos os agentes envolvidos (dirigentes, treinadores, organizadores, etc.) se encontram numa situação de impotência face às poucas, quase inexistentes, alternativas para darem continuidade à atividade.

Assistiremos no Desporto nestes próximos anos a um abandono ou a um êxodo semelhante àquele que em outras épocas viveu o nosso país? Aqui ao lado, em Espanha, o calendário lá se vai cumprindo e os nossos atletas, ora em busca de pontos ora simplesmente na busca de oportunidade de fazerem aquilo para que treinam, lá vão competir porque passados 365 dias é “Tempo de ir a Jogo”!