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Formação

Pedro Carvalho
\ segunda-feira, setembro 12, 2022
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É atualmente consensual entre dirigentes, comentadores e adeptos que a aposta na Formação é fundamental para o futuro do futebol português, em termos desportivos e financeiros.

No Vitória Sport Club foi assim nos últimos três anos, nomeadamente na presidência de Miguel Pinto Lisboa, que tinha essa aposta na Formação como pedra angular de todo o seu projeto. E será prometidamente assim com António Miguel Cardoso. Mas para que essa aposta na formação produza resultados sólidos e consistentes no futebol profissional, e para que o clube evolua e cresça e alcance um sucesso sustentável e não pontual, é preciso que exista uma continua aposta e investimento. Naturalmente que esse investimento resulta, e resultou, em custos correntes mais elevados, porque profissionalizar equipas técnicas, médicas, scouting, contratar especialistas em alto rendimento, teve e tem um preço. Tal como teve e tem um preço criar condições e celebrar contratos profissionais atrativos com jovens atletas cujo valor tem que ser precocemente identificado, sob pena de os perdermos para os nossos rivais. Por exemplo Amaro, Maga e Helder Sá já se encontravam no último ano de juniores, quando em 2019 assinaram contrato profissional. Por sua vez Gui e André Almeida renovaram contrato profissional em 2021.

Os resultados dessa aposta na Formação e em jovens talentos nacionais e estrangeiros está à vista de todos. E esta não ocorreu por necessidade económica do momento, mas sim porque existiu uma vontade disruptora em apostar na Formação por esse ser o caminho. Os jovens talentos que despontaram entretanto e que foram alcançando a equipa A, como nunca antes aconteceu desta forma sustentada, são fruto dessa política desportiva. Podemos ter talentos inatos e excecionais, mas se não criarmos condições ao nível técnico e de equipamentos, estes atletas nunca alcançarão um patamar elevado, a não ser que sejam predestinados. Mas mesmos estes últimos no futebol moderno têm que ser trabalhados. Veja-se o exemplo da seleção nacional que só alcançou bons resultados de forma sustentada e o título europeu a partir do momento que a FPF dotou toda a sua estrutura de técnicos especializados e apostou na construção da Cidade do Futebol. Bons jogadores sempre tivemos, um conjunto de jogadores de topo só surgiram num passado recente fruto da aposta na Formação por parte dos clubes e seleção.

Esse investimento teve custos com reflexos no passivo do clube, mas tinha que ser feito porque a médio prazo irá dar retorno porque teremos ativos de valor exponencialmente superior. Aliás já teve retorno desportivo e, particularmente, económico, como ocorreu com o Edwards, como está a ocorrer agora com o Gui, André Almeida e Mumin. Será assim também com Händel e Maga, entre outros, ou com os “potros” Bamba, Nelson da Luz e Tounkara. E graças a esse retorno económico poderemos alcançar estabilidade e crescimento sem “almofadas”. Não podemos agora desinvestir e desbaratar este investimento.