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“Guimarães derrota Benfica”, anos 1960

Raul Rocha
\ terça-feira, novembro 23, 2021
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Chegou a aparecer uma proposta para a denominação oficial ser “Vitória Sport Clube de Guimarães”. Não avançou porque não era necessário, a identidade estava construída por todo o Portugal.

Nos últimos dias num grupo de WhatsApp onde participo surgiu, a propósito de nada, uma discussão sobre o nome do Vitória. Já me tinha apercebido em tempos recentes que havia quem não gostasse que a denominação “Guimarães” fosse associada ao nosso clube. Achei ridículo, mas desprezei. Mas quando li: “Ninguém chama Funchal ao Marítimo, nem Vila do Conde ao Rio Ave, nem Matosinhos ao Leixões. Há muitas maneiras de associar o Vitória a Guimarães, mas sem desrespeitarem o nosso nome”, fiquei chocado.

Comecei criança a frequentar a Amorosa na década de 1960. Anos em que o Vitória ganhava grandes jogos. “A Bola” titulava a toda a largura da sua 1ª página: “Guimarães derrota Benfica” e os vitorianos compravam a edição às centenas e guardavam o jornal, orgulhosos. Se, por acaso, o título fosse: “Vitória SC derrota Benfica”, no país desportivo perguntar-se-ia: Que Vitória? O de Setúbal ou o de Guimarães?

Foi nesses tempos há sessenta anos que apreendi a ser vitoriano. O Vitória foi sempre o “Vitória de Guimarães”. Como quando se enumeram os clubes campeões de Espanha lá aparece o “Corunha” e não o “Deportivo” ou o “Depor”. A identificação do bairrismo vimaranense com o clube é uma das nossas maiores mais-valias. Quando nas décadas de 1930 e 1940, os industriais vimaranenses fizeram do Vitória um grande do futebol nacional, emblema da terra, o objetivo foi projetar Guimarães e a indústria local por Portugal inteiro.

Numa assembleia dos anos 1990 chegou a aparecer uma proposta para a denominação oficial ser “Vitória Sport Clube de Guimarães”. Não avançou porque não era necessário, a identidade estava construída por todo o Portugal.

Por tudo isto, quando comecei a ouvir algumas vozes criticando nomeadamente os treinadores adversários e jornalistas por se referirem ao “Guimarães”, acreditei que o azedume tinha apenas a ver com incomodidades em tempo de derrotas e de “roubos” de arbitragem e não com questões de nome.

Mas não. Afinal há um discurso que se pretende fundamentado em torno de como nos chamamos. É grave, quando alguém se lembra de discutir o seu próprio nome. Para mim, é “Vitória de Guimarães” e se quiserem simplificar podem, como nos anos 1960, titular “Guimarães derrota Benfica”, que festejarei como sempre sucedeu. Só tenho pena que hoje a notícia tenha passado a ser “Vitória derrotado em Moreira de Cónegos” …

É o que me interessa e ensina a história centenária.