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Mexa-se mas não mexa com o outro

Ilda Pereira
\ sexta-feira, abril 23, 2021
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A vivermos as réplicas do sismo trazido pelo anúncio da criação de uma nova “competição” que entra em ruptura com a tradição da UEFA.

De cá para lá e de lá para cá, de quem muito bulia para quem não se movia de todo, a Pandemia veio por isto tudo a mexer – e, com “mexer”, não quero dizer propriamente “colocar em aceleração”. De resto, os números apontam para alterações tão acesas quão discrepantes no quotidiano dos Portugueses após um ano a lidar com a Pandemia. Ou seja, por um lado as respostas dadas aos inquéritos testemunham que há uma percentagem significativa da população que não praticava qualquer atividade física e que agora está em movimento (sobretudo do género feminino); por outro, antagonicamente, aquela percentagem que praticava desporto com uma frequência média / alta passou a dedicar-lhe não só menos tempo como lhe retirou qualidade.

Estaremos então melhor do que há um ano atrás? O que é que isto nos diz quanto à saúde dos portugueses? Quanto à saúde física, mental e social. Qual o impacto destas mudanças no espaço público? Como está a ser a convivência entre os utilizadores “fidelizados” e os “beginners”? Onde se encontram oportunidades para o exercício supervisionado? Quando ocorrerá uma “Educação para A Prática Desportiva Ao Ar Livre”?

A vivermos as réplicas do sismo trazido pelo anúncio da criação de uma nova “competição” que entra em ruptura com a tradição da UEFA, as questões que coloco parecem hoje, possivelmente, menos vanguardistas do que as havia pensado quando desenhava o tema para este “Tempo de Jogo”.

Mas é mesmo tempo de irmos a Jogo! A situação atual exige ações contemporâneas – por disruptivas que pareçam numa primeira aproximação. O Boom de Atividade Física necessita de ser acompanhado por igual força no rastreio médico, na realização de um exame médico desportivo; o Boom de Atividade Física necessita de campanhas institucionais de sensibilização para que os Portugueses possam realizar exercício físico com cargas (intensidade e volume) adequados às suas características individuais; o Boom de Atividade Física é uma oportunidade para que se faça a basilar articulação entre o Sistema Nacional de Saúde e as Entidades que prestam o Serviço do Desporto (desde Ginásios e Clubes a Escolas – entre outros, como as Federações); o Boom da Atividade Física é uma oportunidade para o desenvolvimento de valores, para a (re)construção de uma cultura e inovação de hábitos e práticas que implica um plano de Formação e de transmissão das regras associadas à convivência no espaço público (como é o caso do Código da Estrada, onde todos estão enquadrados, desde o peão ao condutor de charrete).

De cá para lá e de lá para cá, hoje com entradas e saídas do ginásio para a ciclovia, das Estradas Nacionais para os caminhos da pedonais, da passadeira para a piscina, há um fluxo e um êxodo, hábitos e costumes que estão em transformação e que exigem a cada um dos atores um debruçar sobre a(s) Lei(s) e as regras, uma boa dose de civismo e empatia quanto baste.

Mexa-se mas não mexa com o outro…  

 

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