skipToMain
Siga-nos:

Não gosto de bufos nem de chibos

Carlos Rui Abreu
\ segunda-feira, agosto 29, 2022
© Direitos reservados
Aos delegados ao jogo, deveria caber a função de não só escreverem aquilo que vêm no campo. Depois deveriam ser obrigados a ver o jogo, em casa, e escrever sobre coisas que as imagens mostram.

Não gosto de bufos nem de chibos. Não estou a falar das aves de rapina nem tão pouco dos bodes novos. Talvez pelo meu avô ter sido preso duas vezes pela PIDE e eu abominar aqueles que, a coberto da capa dos bons costumes, se acham os donos da moral sempre me dei mal com os que acusam. Os queixinhas, os acusa-pilatos. Vivemos numa sociedade onde ainda vão proliferando exemplos deste tipo de gente e todos deveríamos ter a obrigação de combater esta verdadeira praga.

Serve esta introdução para abordar o recente caso do jogador do Portimonense, Yago Cariello, que teve um gesto irrefletido aquando do momento do festejo de um golo contra o Vitória de Guimarães. Simulou um fuzilamento em massa dos adeptos vitorianos o que causou a natural indignação dos ‘alvos’ do jogador brasileiro. Aquilo que todo o país viu deveria, só por si, motivar uma rápida intervenção dos órgãos disciplinares que regem o futebol em Portugal para que um castigo ao jogador fosse célere. As imagens são claras, no dia seguinte ouvir-se-iam as partes envolvidas e a decisão no prazo de dois ou três dias seria tornada pública. O mesmo se passou no último clássico entre Porto e Sporting. Se houve atitudes menos corretas e que foram visíveis na transmissão televisiva o procedimento seria o mesmo. Aos delegados ao jogo deveria caber a função de não só escreverem aquilo que vêm no campo mas depois deveria ser obrigados a ver o jogo, em casa, e escrever sobre coisas que as imagens mostram e no estádio não se aperceberam.

Não deveria fomentar-se a figura do bufo, do chibo. Não deveriam ser os clubes a fazerem queixinhas dos adversários por coisas que toda a gente viu. Instiga-se, desta forma, ao clima de confronto entre clubes fora do terreno do jogo. Aí, nesse retângulo, devem estar focadas todas as atenções dos intervenientes e não na caça ao castigozinho do vizinho do lado.

É certo que para isto poder ser uma realidade é preciso munir o futebol profissional de outras regras, de outras ferramentas e, quiçá, de outras pessoas mas seria um passo importante para que as queixinhas deixassem de existir. Com tantas pessoas em redor da organização de um jogo, com tantas ferramentas tecnológicas ao dispor, não havia necessidade de recurso à figura do bufo, do chibo.

Na era em que vivemos não há necessidade de assistirmos a estas coisas.

Haja bom senso, coerência, e justiça célere e assertiva para quem infringir.