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Novos tempos

Raul Rocha
\ segunda-feira, julho 11, 2022
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Apesar de ter sido formado no meu amor clubista em outros tempos, só me custa aceitar estes novos tempos porque quem mais ganha não são os jogadores, os clubes SAD, mas sim os empresários que dominam.

Entro no domingo num táxi, em Barcelos, e o motorista, conhecedor dos meus afetos clubistas, dispara: “Então o seu Vitória está a vender os jogadores todos”. Fico surpreendidíssimo. O Vitória só vendeu Rochinha da equipa da última época. Também o jovem Gui, da B. Realizou os valores que tinha retido de Tapsoba. Fez novo empréstimo de Sacko para França. Ainda longe de realizar os valores do plano de reestruturação aprovado em assembleia geral da SAD: 10 milhões em janeiro, 10 milhões em junho, definidos como necessários.

A surpresa foi vir de uma voz comum, fora do Vitória. De um apaixonado vitoriano, já sabia. Até foram colocadas tarjas com expressão de preocupação. De alguém que segue o Vitória como segue o Porto, o Braga, o Gil Vicente, que já venderam mais, surpreendeu-me.

No futebol negócio de hoje, o objetivo é vender sem desvalorizar. É importante formar, descobrir valores com potencialidades de aquisição de qualidades competitivas nos sub-19, na B, e realizar mais-valias. As equipas são uma montra para o negócio. Conquistar vitórias suadas e vividas nos noventa minutos, classificações, é muito importante para o conforto e emoções dos adeptos, para a história dos clubes, mas tal só é sustentável se o equilíbrio financeiro for alcançado com transferências valorativas seja em janeiro ou junho. A possibilidade de transferir a meio das épocas e até 31 de agosto tem mesmo esse objetivo de rentabilidade.

Apesar de ter sido formado no meu amor clubista em outros tempos, só me custa aceitar estes novos tempos porque quem mais ganha não são os jogadores, os clubes SAD, mas sim os empresários que dominam, estabelecem regras, impõem.

Sinal destes novos tempos foi também a lista, divulgada na última assembleia geral da Vitória SAD, dos vencimentos da sua administração e da equipa de gestão que a acompanha.

Quero relevar a transparência da informação e até o equilíbrio dos valores divulgados, enquadrados em justas remunerações para quem trabalha a tempo inteiro, ou parcial, para o Vitória.

Não estou mesmo nada de acordo com o que lá ouvi de alguém, que só conheceu o Vitória nestes novos tempos, que defendeu maiores remunerações porque só assim o Vitória seria grande e equiparável aos maiores.

Não. O Vitória será maior se quem o dirigir o sentir com vitorianismo muito mais que o seu vencimento. Mas haver esta discussão confirma o novo tempo que vivemos.