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O Árbitro Assistente que cometeu o “crime” de pedir um autógrafo

Alain Freitas
\ sexta-feira, abril 09, 2021
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O desporto em si e o futebol em particular, são atividades que movimentam paixões, mas nunca devemos permitir que os valores de integridade, seriedade, respeito e compreensão sejam colocados em causa.

Poderíamos começar esta crónica a questionar-nos até aonde podem ir as consequências de um simples autógrafo… Quando o mesmo é pedido por um árbitro num jogo da Liga dos Campeões em que acabara de ser interveniente enquanto as equipas se dirigiam para o balneário, após final do jogo, quando se aproximou do jogador em causa e pediu-lhe que assinasse os cartões de jogo que tinha em sua posse.

As interpretações várias que cada um poderá ter, levam-me a partilhar convosco a minha. Porém antes de o fazer, comparti-lho a opinião da UEFA.

Em comunicado, ainda antes de qualquer justificação por parte do árbitro, foi dirigido aos árbitros em geral um aviso: “Tu és responsável pelo teu comportamento e pelo comportamento dos restantes elementos da equipa de arbitragem, quando estão num jogo da UEFA. Se queres ser respeitado tal como os jogadores, porque pedirias um autógrafo? Os jogadores também te pedem um autógrafo? Isto é simplesmente inaceitável. É uma questão de dignidade. “

Após leitura deste infeliz comunicado e porventura quem não sabe do que se trata, poderá deduzir que o interveniente em causa, cometeu algum crime que tenha de alguma forma manchado a supra e intocável entidade.

Rapidamente começaram as especulações em variados meios de comunicação social internacional que nem as palavras do treinador da equipa adversária ao aferir que o trabalho da equipa de arbitragem tinha sido positivo, evitaram o linchamento público a que o referido árbitro assistente foi sujeito, sem que tivesse tido o direito de se justificar e/ou defender.

Passados apenas dois dias, foi tornado público o motivo para tal ato inusitado.

Este autógrafo, à semelhança de outros que já tinham sido solicitados mas que não tinham tido o mediatismo negativo que teve o momento relatado anteriormente, servem para uma recolha de fundos que revertem a favor de uma associação de crianças autistas onde o árbitro assistente colabora a título de voluntário à muitos anos. A nobreza do ato de voluntariado é de uma grandeza enorme, seja em que circunstância for, mas quando é feito em pessoas especiais, atinge um valor ainda mais elevado. Estes desenvolvimentos deviam envergonhar todos aqueles que participaram no enxovalhamento público que ocorreu sem terem conhecimento do motivo e apenas terem julgado o árbitro assistente, partindo de um princípio errado que a todos nos deve obrigar a momentos de reflexão. É este o caminho que queremos seguir? São estes os valores que queremos transmitir?

O desporto em si e o futebol em particular, são atividades que movimentam paixões, mas nunca devemos permitir que os valores de integridade, seriedade, respeito e compreensão sejam colocados em causa apenas porque o individuo exerce uma função no contexto desportivo, seja ele árbitro, atleta, dirigente e/ou treinador.