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O financiamento do desporto pelos pais

José Luís Ribeiro
\ sexta-feira, junho 25, 2021
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Em tempos recentes, uma Família, no arranque da época desportiva, teve que pagar a um clube de Guimarães cerca de 250€ pela inscrição de um jovem, incluindo equipamento e outras taxas e taxinhas.

Ao que acresceram as mensalidades, calçado e vestuário desportivo, transportes, rifas de “compra obrigatória”, inscrições em torneios, merchandising, etc.

Isto não é promover o desporto. Isto é um abuso e um luxo que não está ao alcance de todos.

A atividade desportiva deve ser acessível a todas as pessoas, numa lógica alicerçada na democratização da sua prática, na preservação dos valores do desporto, no respeito das aspirações e capacidades de cada um, na diversidade das práticas desportivas e na promoção de estilo de vida ativos e benéficos para a saúde.

De uma forma generalizada, os Pais e Encarregados de Educação reconhecem a importância dos seus filhos praticarem desporto, incentivando-os e criando condições para que tal ocorra. Contudo, amiúdes vezes, são confrontados, a par de outras dificuldades, com a necessidade de realizar um esforço financeiro desproporcionado que, certamente, condiciona as decisões. Numa altura em que a retoma e o regresso dos jovens ao desporto estão em cima da mesa, esta questão não é de menor importância, como já havia referido anteriormente (aqui).

Grande parte da atividade desportiva dos jovens é duplamente financiada pelos Pais, numa sobrecarga que fere e prejudica os princípios da democratização da prática desportiva e os princípios que devem imperar na atribuição de subsídios aos clubes.

Os Pais e Encarregados de Educação, através dos seus impostos, ajudam o Governo e as autarquias a subsidiar a construção e manutenção de instalações desportivas e a atribuir apoios à atividade de clubes e coletividades. Simultaneamente (embora existam bons exemplos e não seja justa a generalização) alguns clubes, sobrecarregam de forma exorbitante os orçamentos familiares com custos e responsabilidades da prática desportiva.

Não será difícil concluir que alguns clubes encontram na promoção da prática desportiva dos mais jovens uma lucrativa fonte de financiamento, se atendermos que o Governo e as autarquias financiam a construção e manutenção das instalações desportivas, que recebem subsídios para a atividade regular (no pressuposto de um serviço à comunidade de promoção da generalização da prática desportiva) e, entre outros apoios, as contribuições e ajudas dos Pais que, regra geral, acabam por suportar todos os custos relacionados com a atividade.

Em tempos recentes, uma Família, no arranque da época desportiva de uma modalidade de pavilhão, teve que pagar a um clube de Guimarães cerca de 250€ pela inscrição de um jovem, incluindo equipamento e outras taxas e taxinhas. Ao que acresceram as mensalidades, calçado e vestuário desportivo, transportes, rifas de “compra obrigatória”, inscrições em torneios, merchandising, etc.

Isto não é promover o desporto. Isto é um abuso e um luxo que não está ao alcance de todos.

A política de atribuição de apoios ao desporto deveria, portanto, considerar, entre outras realidades, a diferenciação clara entre os clubes que não cobram pela prática desportiva, que cobram pouco, que cobram valores razoáveis ou aqueles que sobrecarregam as Famílias.