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O verdadeiro significado do voto

Ricardo Freitas
\ segunda-feira, novembro 01, 2021
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Os sócios não reprovaram o Passado, reprovaram a ausência de soluções para o Futuro.

O mês que acaba de findar foi muito intenso quer em futebol jogado quer na discussão da vida do Vitória. Em termos desportivos, apesar de não termos conquistado resultados considerados extraordinários, vemos em campo uma atitude positiva de toda a equipa e do treinador Pepa, que não se fica apenas pelo discurso, e que nos fazem acreditar num futuro melhor e que é amplamente consensual entre os adeptos Vitorianos.

Já em termos financeiros, o cenário atual é desolador e extremamente preocupante com o Vitória a apresentar um Passivo consolidado de 67 milhões de euros! Mas pior que a constatação de uma realidade factual é não deslumbrarmos nem nos ser apresentada uma proposta para se reverter a atual situação. A manutenção neste rumo não é apenas preponderante na gestão financeira, sendo que num futuro muito próximo acabará por ter uma influência muito negativa desportivamente, hipotecando um futuro vitorioso a todos os níveis para o nosso clube.

No passado dia 23 de outubro, na Assembleia Geral do clube, o Relatório e Contas relativo à temporada 2020/21 foi apresentado aos sócios e reprovado pela maioria dos associados presentes. Acredito que a maioria que votou contra este R&C não o fez convicto que este relatório não espelhava a realidade financeira do clube. Também estou convencido que este “chumbo” às contas não foi um “cartão vermelho” à Direção com o objetivo da dissolução da mesma. Todos sabemos que este R&C será mais cedo ou mais tarde aprovado! Só não o foi agora por manifesta impreparação (e porque não dizer falta de motivação) da nossa Direção em assumir a sua responsabilidade por erros de gestão financeira e desportiva, mas principalmente por não ter apresentado nesta AG um plano de reestruturação da dívida que demonstrasse aos sócios que podem ter confiança que a atual situação do clube será revertida. Os sócios não reprovaram o Passado, reprovaram a ausência de soluções para o Futuro.

Se há algo de positivo que hoje em dia podemos extrair da participação dos sócios Vitorianos nos diferentes momentos da vida do clube, é que são associados mais capacitados e preocupados com todas as vertentes que fazem parte do universo do Vitória. Longe, felizmente, vão os tempos em que o sentido de voto era influenciado não por uma consciência da realidade, mas porque a bola entrava muito ou pouco, ou porque era apresentado um jogador à última hora.

São em momentos difíceis como este, em que é exigido a toda a família Vitoriana que se una e coopere. Podemos divergir no caminho e opções a serem tomadas, mas de certeza que todos convergimos no objetivo de um futuro mais auspicioso para o nosso Vitória.

Se à Direção, que tem a árdua tarefa de dirigir os destinos do nosso clube, exigimos transparência nos seus atos e humildade para ouvir os sócios e as suas inquietações, também temos de ser exigentes com todos os sócios que divergem, para que não se limitem a discordar e para que apresentem de forma inequívoca soluções.

Se neste momento tão delicado que clube vive o egocentrismo ganhar, então teremos a derrota mais humilhante do Vitória em toda a sua centenária história.

 

Saudações Vitorianas!