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Pode ser legal, mas é imoral!

Ricardo Freitas
\ segunda-feira, janeiro 10, 2022
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Não sei os princípios morais pelos quais se rege Júlio Mendes, mas pelos meus princípios, e certamente pelos de muitos Vitorianos, considero este tipo de acordo completamente escandaloso e imoral.

Na última semana tivemos conhecimento que o Tribunal de Guimarães considerou improcedente a ação interposta por Júlio Mendes e Armando Marques, ex-administradores da SAD do Vitória, em que estes reclamam uma verba de 2,7 milhões de euros por incumprimento de um acordo estabelecido com Mário Ferreira, que à data era o acionista maioritário da SAD Vitoriana.

Resumidamente, terá existido um pacto em que os administradores Júlio Mendes e Armando Marques teriam direito a um prémio de gestão. Este prémio seria concedido por Mário Ferreira aos administradores quando surgisse uma proposta formal pelas suas ações e num valor superior a oito milhões de euros. Afirmam que Mário Ferreira recusou vender as ações em diversas ocasiões. Assim, reivindicavam um milhão de euros cada um e Júlio Mendes exige ainda um "prémio de desempenho" de 700 mil euros.

Júlio Mendes informou que iria recorrer e afirmou que "Contrariamente ao que alguns se esforçaram por tentar fazer acreditar, o contrato que existe não é ilegal e imoral, nem é para tirar dinheiro ao Vitória. Nunca quis prejudicar o clube. Isso ficou claramente demonstrado".

Francamente, atribuo pouca relevância ao desfecho desta contenda judicial, porque aparentemente é legal fazer este tipo de acordos e porque quero acreditar que independentemente do seu desfecho não terá qualquer tipo de consequência para o VSC.

Não sei os princípios morais pelos quais se rege Júlio Mendes, mas pelos meus princípios, e certamente pelos de muitos Vitorianos, considero este tipo de acordo completamente escandaloso e imoral.

Júlio Mendes e Armando Marques só foram administradores da SAD porque exerciam funções como dirigentes do clube, eleitos pelos sócios Vitorianos para defender os interesses do Vitória e não os seus interesses pessoais. Quando algum dirigente associativo beneficia destes cargos para retirar dividendos próprios, até pode ser legal, mas é eticamente reprovável e completamente imoral!

Se tivessem como principal objetivo a obtenção de benefícios para o Vitória e não em proveito próprio, estes dirigentes até poderiam assinar um acordo similar com Mário Ferreira, mas os dividendos reverteriam para o clube. Por estas razões, não considero que tenha ficado claramente demonstrado que o clube não foi prejudicado!

O Plano Nacional de Ética no Desporto menciona o compromisso com a ética desportiva que os dirigentes ou gestores desportivos devem ter, entre as quais, “Evitar qualquer situação que possa levar a conflito de interesses. Entende-se por conflito de interesses quando têm, ou aparentam ter, interesses privados ou pessoais que coloquem em causa a integridade e independência no exercício das suas funções.”.

Sobre a legalidade têm de ser os tribunais a decidir. Sobre a moralidade e ética cada um de nós pode fazer o seu próprio julgamento.

Saudações Vitorianas!