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Sentimentos contraditórios

Ricardo Freitas
\ segunda-feira, julho 25, 2022
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Sou apologista que se tem de dar tempo às direções para implementarem os seus projetos, não fazendo apreciações precipitadas, no entanto, isto não nos impede de irmos dando a nossa opinião.

Numa das minhas últimas crónicas, em que fiz um balanço da época transata e as minhas expetativas para o início da nova temporada, afirmei que acreditava ser uma grande vantagem a manutenção do Pepa. E quando tudo parecia que assim se manteria, eis que somos surpreendidos, a cerca de uma semana do primeiro jogo oficial, com a notícia que a Direção Vitoriana tinha “afastado” o treinador.

Se é natural o espanto de todos por esta vicissitude que tinha tanto de inesperado como de preocupante, nessa mesma noite surgiam comentários de toda a ordem, quer a favor do treinador ou da direção, mesmo sem ouvirmos as justificações que esperávamos de ambos os lados. Isso não espanta, porque no futebol a emocionalidade ultrapassa normalmente a racionalidade. Contudo, esta decisão para mim, independentemente das justificações, era mais um sinal inquietante, principalmente por não ser o primeiro.

Sou apologista que se tem de dar tempo às direções para implementarem os seus projetos, não fazendo apreciações precipitadas, no entanto, isto não nos impede de irmos dando a nossa opinião e fazermos uma avaliação contínua. Não coloco nos píncaros um jogador recém-contratado porque fez um excelente jogo, mas também não o contesto só porque os primeiros jogos não correm bem. Normalmente nas bancadas do Afonso Henriques, os primeiros a aplaudir também são os primeiros a assobiar. Não são melhores nem piores os adeptos que assim agem, apenas são mais emocionais.

Em termos de comunicação, todas as direções em tempo de eleições afirmam que vão ser mais transparentes e comunicar melhor com os sócios, mas as duas saídas mais sonantes neste curto período não podem apenas ser anunciadas e resumidas numa linha de um comunicado.

No caso do Diogo Boa Alma, diretor desportivo escolhido por esta direção e anunciado em plena campanha, a justificação foi que existiam "divergências ideológicas e de gestão entre ambas as partes.". A questão que se coloca é como foi possível escolher um diretor desportivo sem existir uma sólida sintonia ideológica e da futura gestão desportiva do clube? Esta decisão foi única e exclusivamente da responsabilidade desta direção, sendo que a justificação peca por omissão.

Sobre o despedimento do Pepa, António Miguel Cardoso culpa-o de ter “excedido determinados limites” e imputa-lhe um “desalinhamento” do projeto desportivo do clube. Sendo um treinador que já estava no clube, não existiu uma conversa séria no final da época para ter a certeza de que este treinador era o indicado para colocar em prática o tão propalado projeto desportivo?

Toda esta instabilidade não augurava nada de bom, pelo menos para alguns (como eu), mas felizmente estivemos equivocados neste primeiro jogo, em tivemos o prazer não só de ver o Vitória vencer categoricamente, mas com um futebol e uma atitude que nos encheu de prazer e orgulho.

Desejo continuar equivocado e ver o meu Vitória a crescer e a vencer!

Saudações Vitorianas!