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Vestir a camisola

Ricardo Freitas
\ segunda-feira, setembro 19, 2022
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A discussão está enviesada desde o início, e só existe porque estes propalados casos são sobre adeptos que envergam camisolas dos três protegidos do costume.

Ontem foi dia de deslocação a Arouca, e mais uma vez foi possível constatar a extraordinária movimentação dos adeptos Vitorianos, em mais uma prova de amor e dedicação ao seu clube, na semana em que celebramos e completamos o 100ª aniversário do clube.

Apesar de não estarmos a fazer uma época excecional, o apoio dos sócios e adeptos Vitorianos não esmorece e muitas vezes dá a sensação que cresce em medida proporcional às adversidades que enfrenta.

Ontem deu a sensação de tempos mais longínquos, em que a beleza do futebol estava nos jogos ao domingo à tarde, nas verdadeiras “procissões” e excursões em que os Vitorianos percorriam estes caminhos de Portugal. Na viagem, já se antecipava que estaríamos em grande número, pois após a saída da autoestrada era percetível na estrada nacional de curvas e contracurvas até Arouca que aquela caravana era Vitoriana.

Chegados a Arouca com muito tempo de antecedência, só se viam pelas ruas da cidade adeptos Vitorianos a envergar orgulhosamente a camisola e adereços do Vitória, preenchendo as esplanadas de cafés e restaurantes de um concelho que tem pouco mais de 21 mil habitantes.
A sã convivência e desportivismo entre adeptos é possível, está comprovada e faz movimentar a economia das cidades, em que a presença e os gastos com segurança são diminutos, pelo menos, foi o que aparentou no centro de Arouca.

Independentemente do resultado, foi um belo exemplo de como o futebol ao domingo à tarde, em horas decentes, não preenche apenas as bancadas dos estádios do futebol, mas movimenta, e muito, o turismo de cidades mais pequenas.

Depois de uma semana em que a hipocrisia de alguns políticos e dirigentes do futebol português, incluindo o presidente da Liga, voltou a grassar pelos vários meios de comunicação social, em que se danificou injustamente a imagem de um pequeno clube e cidade em defesa de outro, dito dos grandes. Ainda não tinham terminado as discussões e parangonas da semana anterior e não satisfeitos intensificam com mais um caso, desta vez no estádio do Estoril.

A discussão está enviesada desde o início, e só existe porque estes propalados casos são sobre adeptos que envergam camisolas dos três protegidos do costume. A discussão deve centrar-se na educação, no civismo, na liberdade e no respeito pelas regras. Discutam as regras de uma forma construtiva e prévia e não por populismo.

Não me recordo de tal discussão ou preocupação quando os adeptos Vitorianos foram humilhados no estádio do Dragão, tratados como criminosos, em que para apoiar o seu clube, no setor que lhes estava destinado, foram obrigados a entrar descalços! Sim, descalços!

Defendo que cada um deve apoiar o clube que gosta, ter a liberdade para vestir a camisola do seu clube sem receios de segurança para si e para os seus, em que adeptos de diferentes clubes podem estar em família e sã convivência. Temos ainda um longo caminho a percorrer, mas não é com estas discussões inócuas e oportunistas que iremos atingir este objetivo.

Saudações Vitorianas!