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Vitória SC – 100 anos de história VII – Futebolistas

Alberto de Castro Abreu
\ sexta-feira, julho 08, 2022
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Com especial marca na história do clube, entre os guarda-redes, é incontestável realçar, desde logo, Ricoca e Machado, os mais antigos, após, Silva, Rodrigues, Roldão, Jesus, Palatsi, Pedro Espinha, o recém malogrado, Neno, Nilson e, finalmente, Douglas.

Na defesa, entre muitos, destacam-se, claramente, Paredes, Curado, Francisco Costa, Cerqueira, Silveira, Virgílio, Caiçara, Manuel Pinto, Joaquim Jorge, Gualter, Costeado, I e II, Ramalho, Osvaldinho, Gregório Freixo, Miguel, Quim Berto, Cléber e Moreno.

Como centrocampistas, relembram-se jogadores como José Maria, Zeferino, Rebelo, Artur da Rocha, Peres, Pedras, Abreu, Almiro, Pedro Barbosa, Paulo Bento, Vitor Paneira, Flávio Meireles, André André e N´Dinga, este, ainda hoje, o jogador com mais jogos com a camisola do Vitória no principal escalão do futebol português.

No ataque, além dos já recordados, nestes textos, Edmur e Paulinho Cascavel, podemos, novamente, indicar Constantino Lameiras, Alexandre, Franklim, Caraça, Ernesto Paraíso, António Mendes, Manuel, Djalma, Jorge Gonçalves, Romeu Silva, Tito, Jeremias, Ademir, Ziad, Gilmar, Romeu Almeida, Saganowski e Soudani.

Assim, de entre os tantos mencionados, e muitos outros mais que podíamos aqui citar, em homenagem a todos os futebolistas que jogaram no Vitória decidimos, neste sétimo texto da saga dos cem anos de história do Vitória, recordar Daniel, uma das principais e mais marcantes personagens do clube, pois trata-se, ainda nos dias de hoje, do jogador que contabiliza mais jogos oficiais com a camisola do Vitória. Por esse facto é, e sempre será, uma incontornável figura do clube, mas também porque tem o seu nome ligado a vários momentos relevantes da história do Vitória.

Foram cerca de vinte anos a representar a instituição vimaranense, primeiro enquanto futebolista - como destacado atleta diga-se de passagem - onde foi durante largos anos o capitão da equipa, e mais tarde enquanto técnico, quer como adjunto de Mário Wilson, quer como treinador principal durante um curto período de tempo após o despedimento daquele.

Era natural de Ponte da Barca, onde começou a dar os primeiros pontapés na bola. O seu pai também natural da mesma localidade era um grande vitoriano, influenciado sobretudo por uma amizade que tinha com um tal de Senhor Sousa, comerciante estabelecido em Ponte da Barca, mas natural da cidade Guimarães, que como nos dias de hoje acontece, pela forma apaixonada como vivemos o clube influenciou decisivamente o amigo.

O certo é que esse vitorianismo evidenciado por seu pai foi decisivo no dia de escolher para onde o seu filho Daniel iria prosseguir a carreira de futebolista. É que as qualidades de Daniel despertaram, primeiramente, a atenção do Braga que manifestou vigoroso interesse na sua aquisição. Todavia, o seu pai acabou por oferecer Daniel de borla ao Vitória, viajando ainda miúdo para prestar provas em Guimarães.

A sua qualidade foi, facilmente, apercebida pelos técnicos vitorianos que, imediatamente, garantiram a continuação do, então miúdo, Daniel. Foi instalado na Pensão Portugal e inscrito na equipa de juniores na época de 1953/54 onde actuava na posição de médio interior esquerdo, tendo nessa época apontando 24 golos.

Mas as suas exibições eram de uma qualidade impar e em apenas um mês e meio depois de ter chegado a Guimarães já Daniel treinava com a equipa principal Vitória. Daí à sua estreia oficial na equipa principal foi um pequeno passo.

Fez a sua estreia em jogo grande no Campo da Amorosa, na temporada de 1954/55, à passagem da 2.ª jornada da 2.ª volta do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, contra o Benfica. Lançado por Randolph, treinador inglês do Vitória, Daniel, então com apenas 17 anos de idade, fez a sua estreia ocupando a posição de médio interior direito, num jogo que a equipa vitoriana venceu os encarnados por 2-1, sendo um dos golos apontados, precisamente, por Daniel.

Destacava-se, desde lodo, pela sua polivalência. Se na equipa de juniores ocupava o lugar de médio interior esquerdo, já nos seniores foi ocupar o mesmo sector, mas do lado direito. Todavia, ao longo da sua carreira, Daniel ocupou variadas posições no terreno de jogo sempre cumprindo as indicações do técnico com uma mestria reconhecida. Foi defesa, médio, e até avançado, não obstante, ter sido na posição de defesa lateral esquerdo que Daniel mais se notabilizou no Vitória ao longo de quase vinte anos de carreira.

Daniel jogava, então, no Vitória apenas por puro amor à camisola, uma vez que só seis temporadas depois é que começou a receber um salário do clube.

Já como titular indiscutível, Daniel integra a equipa do Vitória da época de 1957/58 que consegue alcançar o regresso ao primeiro escalão do futebol nacional depois de três temporadas a jogar no Campeonato Nacional da 2.ª Divisão.

No jogo decisivo - numa liguilha jogada a duas mãos com o Salgueiros - o Vitória conseguiu um empate a 2-2, em Guimarães, resultado suficiente para garantir o triunfo na eliminatória após a vitória na cidade do Porto, por 1-2.

Nesse encontro da 2.ª mão, Daniel foi atingido por adversário no nariz, fracturando-o, mas, ainda, assim, permaneceu em campo até ao final da partida com enorme espírito de sacrifício.

Em 1961/62, Daniel é já um valor firmado na equipa do Vitória e consagrado no futebol nacional. Passou a auferir, então, um salário mensal de cerca de $ 1.500,00, mais prémios de jogo que oscilavam, conforme a importância do desafio, entre os $ 50,00 e $ 300,00.

Já na temporada de 1962/63, a nona época consecutiva no Vitória, o grande acontecimento é, indesmentivelmente, a presença na final da Taça de Portugal, frente ao Sporting, em que Daniel actuou na equipa principal.

Posteriormente, já na época de 1964/65 o grande acontecimento na vida do clube é a passagem do Campo da Amorosa para o Estádio Municipal de Guimarães. Tratava-se na altura de um simples campo relvado, sem balneários, com uma bancada central em cimento e uns camarotes em madeira. Daniel, naturalmente, integrou a equipa titular que jogou pela primeira vez naquele novo recinto desportivo e que seria a casa do Vitória durante dezenas de anos. Daniel ao longo da sua carreira de vinte anos como futebolista do Vitória alinhou durante dez épocas no Campo da Amorosa, e outro tanto lapso de tempo no Estádio Municipal de Guimarães.

A partir, porém, de 1969/70, Daniel deixou de ser um titular indiscutível, passando paulatinamente, para a condição de suplente, sobretudo, pelo peso da idade, no entanto, a sua presença no balneário era essencial para o espírito de grupo e para incentivo dos colegas, não fosse ele, antes de tudo, um grande vitoriano.

Após encerrar a carreira de futebolista, regressa ao Vitória para ser o adjunto dos treinadores Fernando Caiado e Mário Wilson, no decurso da década de 70. Ainda assumiu o papel de treinador principal da equipa vitoriana na época de 1978/79 depois de o Presidente da Direcção do Vitória Gil Mesquita ter despedido Mário Wilson.

A título de curiosidade refira-se que Daniel foi, ainda, anos mais tarde, o treinador da equipa de velhas guardas do Vitória, toda ela constituída por grandes futebolistas da história do clube.

Daniel Barreto, viveu, intensamente, o Vitória ao longo de toda a sua vida, como futebolista, treinador e associado. Faleceu no ano de 2018 com 82 anos de idade.